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Durante muito tempo achei que amar era entregar tudo.
Estar sempre disponível, dar mais um pouco, tentar mais uma vez, compreender mais, insistir mais. Achava que, se desse o suficiente, se fosse suficiente, o amor ficava.
Mas aprendi que muitas vezes isso não era amor nem paz, era medo. Medo de não ser escolhida, medo de não ser suficiente, medo de perder e o medo faz barulho. Faz-nos correr atrás, pensar demais, analisar tudo, procurar sinais onde devia haver clareza. Faz-nos dar mais do que recebemos, acreditar que esforço cria segurança, mas não cria. Segurança não nasce de insistência, nasce de reciprocidade.
Hoje percebo que amar não devia ser viver em alerta, não devia ser ansiedade à espera de uma mensagem, nem dúvida constante sobre o lugar que ocupamos na vida de alguém.
Amor saudável não pede que eu me prove o tempo todo, não pede que eu me diminua para caber, não pede que eu carregue a relação sozinha.
Aprender a amar de forma diferente é aprender a não me perder enquanto sinto, é abrandar quando a ansiedade aparece, em vez de correr atrás, é observar, em vez de tentar convencer, é perceber que o valor que tenho não depende de ser escolhida porque o amor certo não se constrói no esforço de uma pessoa só.
Constrói-se no encontro de duas presenças inteiras e talvez amar de novo não seja voltar a sentir como antes, talvez seja melhor do que isso, talvez seja sentir com paz, com leveza, com segurança. E, pela primeira vez, perceber que amor não é lutar para ficar é sentir que posso ficar sem ter de me abandonar.
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