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Às vezes penso que o que me custa no amor não é amar, mas sim o que acontece dentro de mim quando amo. É como se, no momento em que alguém começa a importar, alguma coisa em mim deixasse de estar tranquila. Começo a sentir medo. Medo de não chegar. Medo de não ser suficiente. Medo de que, se eu não der mais, não fizer mais, não tentar mais, a pessoa vá embora. E isso cansa, cansa viver o amor como se estivesse sempre a tentar merecê-lo, cansa sentir que tenho de estar sempre a provar o meu valor para continuar a ser escolhida e o mais difícil é perceber que, muitas vezes, dei tanto de mim que no fim fiquei vazia. Dei tempo, energia, cuidado, compreensão e muitas vezes recebi dúvidas, ausência ou insegurança.E mesmo assim fiquei, não porque fosse amor puro, mas porque havia apego, esperança e aquele desejo profundo de que, se eu insistisse mais um pouco, talvez finalmente me sentisse segura. Mas a verdade é dura: segurança não se implora, não se conquista à força e amor não devia deixar-me constantemente ansiosa.
Hoje percebo que muitas vezes não tive medo de perder a pessoa, tive medo de confirmar aquela ferida antiga: a de achar que talvez eu nunca fosse suficiente para alguém ficar e carregar isso dentro de uma relação torna tudo pesado, porque cada silêncio pesa, cada distância pesa, cada dúvida pesa. Talvez por isso hoje o amor me assuste não porque eu não saiba amar mas porque durante muito tempo amar significou perder-me um pouco e agora estou a aprender uma coisa nova: que amar alguém não pode custar-me a mim, que posso gostar, sentir, entregar-me sem me abandonar no processo e talvez o amor que eu procuro não seja aquele que me faz sentir tudo de forma intensa, talvez seja aquele que me faz respirar fundo e sentir: aqui posso descansar.
Talvez, no fundo, seja isso que sempre procurei não alguém para amar, mas um amor onde eu também me sinta segura.

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