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  • Às vezes sinto que passei grande parte da vida a tentar ser forte da maneira errada, a achar que aguentar tudo sozinha era uma virtude, que esconder o que me dói me tornava mais madura, mais segura, mais “fácil” para os outros. Mas a verdade é que dentro de mim sempre existiu uma intensidade difícil de explicar. 
    Eu sinto tudo fundo demais o amor, a saudade, o medo, a rejeição, a esperança, nada em mim passa apenas pela superfície.

    Sou alguém que observa muito.
    Reparo nos detalhes que quase ninguém nota: a mudança no tom de voz, o silêncio diferente, a distância que começa devagar, talvez por isso eu me desgaste tanto emocionalmente porque mesmo quando tento fingir que está tudo bem, eu percebo tudo e guardo tudo dentro de mim durante demasiado tempo.

    Há uma parte de mim que quer paz, leveza, estabilidade mas existe outra que vive constantemente em conflito entre o que sente, o que pensa e o que teme. Tenho medo de não ser suficiente, medo de dar demasiado e acabar vazia, medo de me apegar ao ponto de me perder de mim mesma e ao mesmo tempo, amo profundamente com verdade, com cuidado, com presença. Quando gosto de alguém, não gosto pela metade eu envolvo-me emocionalmente até nos pequenos gestos, demonstro amor em detalhes silenciosos: em preocupar-me, em lembrar, em tentar criar momentos especiais, em querer que a pessoa se sinta acolhida perto de mim.

    Acho que poucas pessoas entendem o quanto sou sensível por trás da imagem controlada que tento passar porque eu aprendi a funcionar mesmo triste, aprendi a sorrir enquanto estou cansada emocionalmente, aprendi a continuar mesmo quando me sinto perdida, mas isso cobra um preço há dias em que me sinto exausta de ter de ser forte o tempo todo, dias em que só queria desligar o mundo e existir sem pressão, sem expectativas, sem ter de provar nada a ninguém.

    Também sou alguém que sonha muito, mesmo depois das decepções, ainda acredito em relações que tragam paz e profundidade ao mesmo tempo, ainda acredito que amor não devia ser um jogo de ego, distância e orgulho. Quero conexão verdadeira, quero sentir que posso ser completamente eu sem medo de ser “demais” porque passei muito tempo a diminuir partes de mim para caber nas versões que os outros conseguiam suportar. E no meio de tudo isso, continuo a tentar melhorar, tento cuidar do meu corpo, da minha mente, das minhas emoções, mesmo quando a motivação falha, tento reencontrar-me constantemente. 

    Há uma luta silenciosa dentro de mim entre a pessoa cansada que às vezes quer desistir e a pessoa resiliente que continua a acreditar que ainda pode construir uma vida bonita, leve e cheia de significado.

    Sou feita de extremos delicados: sensível mas resistente, intensa mas silenciosa, carinhosa mas cautelosa e talvez a minha maior batalha seja aprender que não preciso merecer amor através do esforço constante. Que posso simplesmente existir, sentir, falhar, recomeçar…
    E ainda assim continuar digna de ser amada exatamente como sou.
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    Às vezes penso que o que me custa no amor não é amar, mas sim o que acontece dentro de mim quando amo. É como se, no momento em que alguém começa a importar, alguma coisa em mim deixasse de estar tranquila. Começo a sentir medo. Medo de não chegar. Medo de não ser suficiente. Medo de que, se eu não der mais, não fizer mais, não tentar mais, a pessoa vá embora. E isso cansa, cansa viver o amor como se estivesse sempre a tentar merecê-lo, cansa sentir que tenho de estar sempre a provar o meu valor para continuar a ser escolhida e o mais difícil é perceber que, muitas vezes, dei tanto de mim que no fim fiquei vazia. Dei tempo, energia, cuidado, compreensão e muitas vezes recebi dúvidas, ausência ou insegurança.E mesmo assim fiquei, não porque fosse amor puro, mas porque havia apego, esperança e aquele desejo profundo de que, se eu insistisse mais um pouco, talvez finalmente me sentisse segura. Mas a verdade é dura: segurança não se implora, não se conquista à força e amor não devia deixar-me constantemente ansiosa.
    Hoje percebo que muitas vezes não tive medo de perder a pessoa, tive medo de confirmar aquela ferida antiga: a de achar que talvez eu nunca fosse suficiente para alguém ficar e carregar isso dentro de uma relação torna tudo pesado, porque cada silêncio pesa, cada distância pesa, cada dúvida pesa. Talvez por isso hoje o amor me assuste não porque eu não saiba amar mas porque durante muito tempo amar significou perder-me um pouco e agora estou a aprender uma coisa nova: que amar alguém não pode custar-me a mim, que posso gostar, sentir, entregar-me sem me abandonar no processo e talvez o amor que eu procuro não seja aquele que me faz sentir tudo de forma intensa, talvez seja aquele que me faz respirar fundo e sentir: aqui posso descansar.
    Talvez, no fundo, seja isso que sempre procurei não alguém para amar, mas um amor onde eu também me sinta segura.
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    Durante muito tempo achei que amar era entregar tudo.

    Estar sempre disponível, dar mais um pouco, tentar mais uma vez, compreender mais, insistir mais. Achava que, se desse o suficiente, se fosse suficiente, o amor ficava.
    Mas aprendi que muitas vezes isso não era amor nem paz, era medo. Medo de não ser escolhida, medo de não ser suficiente, medo de perder e o medo faz barulho. Faz-nos correr atrás, pensar demais, analisar tudo, procurar sinais onde devia haver clareza. Faz-nos dar mais do que recebemos, acreditar que esforço cria segurança, mas não cria. Segurança não nasce de insistência, nasce de reciprocidade.
    Hoje percebo que amar não devia ser viver em alerta, não devia ser ansiedade à espera de uma mensagem, nem dúvida constante sobre o lugar que ocupamos na vida de alguém. 
    Amor saudável não pede que eu me prove o tempo todo, não pede que eu me diminua para caber, não pede que eu carregue a relação sozinha.
    Aprender a amar de forma diferente é aprender a não me perder enquanto sinto, é abrandar quando a ansiedade aparece, em vez de correr atrás, é observar, em vez de tentar convencer, é perceber que o valor que tenho não depende de ser escolhida porque o amor certo não se constrói no esforço de uma pessoa só.
    Constrói-se no encontro de duas presenças inteiras e talvez amar de novo não seja voltar a sentir como antes, talvez seja melhor do que isso, talvez seja sentir com paz, com leveza, com segurança. E, pela primeira vez, perceber que amor não é lutar para ficar é sentir que posso ficar sem ter de me abandonar.
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