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StayStrong ♥


  • Há dores sobre as quais eu quase nunca sei falar.


    Não porque me faltem palavras, mas porque há sentimentos que parecem grandes demais para caber nelas. Posso tentar explicar a saudade, posso dizer que dói, que há dias melhores e outros em que tudo volta a pesar, mas nunca consigo explicar verdadeiramente aquilo que ficou dentro de mim depois de perder algumas das pessoas que mais amei. Às vezes olho para mim e penso em tudo o que já tive de aprender a suportar.

    Há uma parte da minha vida que ficou dividida entre o antes e o depois de certas despedidas. E, por mais tempo que passe, existem momentos em que ainda me custa acreditar que são definitivas.

    Perdi o meu pai. Perdi o meu filho. E perdi a minha avó.

    Escrever estas três frases já me custa, porque por trás de palavras tão pequenas existem dores enormes. Existem histórias, existem “e se…”, existem coisas que ficaram por viver e existe uma quantidade de saudade que não sei onde colocar. Mas se há uma ausência que mexeu profundamente com aquilo que eu sou, foi a da minha avó. Porque ela não era simplesmente a minha avó, era uma daquelas pessoas que eu achava, no fundo do coração, que estariam sempre ali e talvez uma parte de mim ainda não tenha aceitado que não está.

    Há momentos em que tenho tanta coisa para lhe contar que quase me esqueço de que já não posso pegar no telefone, ouvir a voz dela ou simplesmente estar ao lado dela e é nesse instante que a realidade volta a bater.

    A minha avó morreu, já não posso abraçá-la, já não posso dizer-lhe que preciso dela, já não posso criar mais uma memória com ela e há dias em que esta verdade ainda me parte exatamente como se eu a estivesse a ouvir pela primeira vez.

    Eu conheço o luto de várias maneiras...

    Há dias em que o luto pesa mais do que eu consigo explicar. Eu perdi pessoas que nunca deveria ter precisado de aprender a viver sem e cada um deles deixou um vazio diferente em mim.

    Há coisas sobre o meu pai que ainda doem. Há uma ausência que ficou, coisas que o tempo já não me vai permitir viver e uma parte da minha história onde existirão sempre espaços em branco.

    Depois existe o meu filho e talvez ninguém consiga compreender completamente o que é sentir falta de alguém que quase só existiu dentro de nós. Eu não tenho anos de fotografias para recordar. Não tenho vídeos para voltar a ver. Não tenho uma voz gravada para ouvir quando as saudades apertam, tenho aquilo que imaginei e às vezes isso dói ainda mais. Porque eu não perdi apenas o meu filho, perdi tudo aquilo que imaginei viver com ele.

    Nunca soube como seria o seu sorriso, nunca soube a quem seria parecido, nunca o ouvi chamar-me mãe, não o vi crescer e mesmo assim, amei-o. Amei-o com um amor que não precisou de tempo para existir. Há uma parte de mim que ficará para sempre presa à pergunta: “Como seria se estivesses aqui?”

    E depois há a minha avó. A minha avó é diferente, porque quando ela morreu, eu não perdi apenas alguém que amava, eu perdi casa e acho que essa é uma das coisas que mais me custa admitir. Porque posso ter pessoas à minha volta, posso sorrir, posso trabalhar, posso continuar a minha vida, posso parecer perfeitamente bem mas há momentos em que tudo o que eu queria era voltar a ser aquela menina que ainda tinha a avó. Só isso, voltar por cinco minutos, sentar-me ao lado dela, ouvir a voz dela, contar-lhe o que aconteceu na minha vida desde que partiu, dizer-lhe quantas vezes precisei dela, quantas vezes pensei: “Se a minha avó estivesse aqui…” , quantas vezes tive de engolir as lágrimas e resolver sozinha coisas para as quais só queria o colo dela.

    Eu queria contar-lhe as minhas conquistas, queria contar-lhe as minhas desilusões, queria contar-lhe sobre as pessoas que chegaram, as que foram embora, as vezes em que me partiram o coração e todas aquelas em que eu própria achei que já não conseguia mais, queria que ela soubesse quem me tornei mas, principalmente, queria perguntar-lhe se ela teria orgulho em mim. Porque às vezes sinto que cresci desde que ela partiu, mas uma parte de mim continua exatamente no mesmo sítio, a querer a avó de volta e ninguém me avisou que crescer também podia significar isto precisar desesperadamente de alguém que já não pode voltar.

    Há dias em que estou bem com a saudade, consigo lembrar-me dela e sorrir mas há outros em que não quero aceitar coisa nenhuma, não quero ouvir que está num lugar melhor, não quero ouvir que o tempo cura, não quero ouvir que tenho de ficar com as boas memórias. Eu sei, mas às vezes eu não quero uma memória. Quero a minha avó, quero o abraço dela, quero a voz dela, quero a presença dela, quero aquilo que nenhuma fotografia, nenhuma lembrança e nenhuma palavra consegue devolver e dói perceber que posso viver mais quarenta, cinquenta ou sessenta anos e nunca mais vou poder abraçá-la. Essa parte do luto assusta-me, a vida continua a acontecer e ela não está cá para assistir e eu continuo a viver coisas que queria tanto contar-lhe.

    Talvez seja por isso que existem dias em que a saudade parece tão recente, porque o mundo continuou mas o meu amor por ela não recebeu a notícia de que tinha de acabar e nunca vai receber.

    O meu pai deixou uma ausência em mim. O meu filho deixou um lugar no meu coração que ninguém poderá ocupar, porque aquele lugar será sempre dele. Mas a minha avó...A minha avó levou um bocadinho de mim com ela, levou a menina que se sentia protegida só porque ela existia, levou aquele lugar onde eu não precisava de ser forte e talvez seja isso que mais me faz falta.

    Porque eu aprendi a levantar-me, aprendi a engolir lágrimas, aprendi a sobreviver a coisas que achei que nunca conseguiria suportar, aprendi a dizer “está tudo bem” mesmo quando não estava mas às vezes estou cansada de saber sobreviver, às vezes só queria poder ser pequena outra vez, encostar a cabeça no colo da minha avó e deixar que, por alguns minutos, fosse outra pessoa a convencer-me de que tudo ia ficar bem.

    Tenho três lutos dentro de mim. Três amores. Três ausências. Não preciso de escolher qual deles merece mais lágrimas, mas há uma saudade que tem um lugar diferente.. a dela.

    Porque há pessoas que amamos e depois existem aquelas que, sem percebermos, são uma parte das nossas fundações a minha avó era isso. E quando uma fundação desaparece, podemos reconstruir-nos, podemos continuar de pé, podemos até voltar a ser felizes, mas nunca voltamos a ser exatamente a mesma casa. Por isso, se me perguntarem se já ultrapassei o luto, a resposta é não, eu não ultrapassei, eu apennas aprendi a caminhar com ele. Há dias em que vai silencioso ao meu lado e há outros em que pesa tanto que quase tenho de o carregar ao colo mas continuo...


    Com o meu pai na minha história.

    Com o meu filho no meu coração.

    E com a minha avó em tudo aquilo que ela deixou em mim.

    Porque algumas pessoas morrem mas há amores que não sabem morrer. E o meu por eles é um desses. 🤍
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    Minha pequenina, encontrei-te outra vez..


    Encontrei-te no meio de palavras escritas há tantos anos, em textos que provavelmente escreveste sem imaginar que um dia voltarias a lê-los com outros olhos, encontrei-te nos “para sempre”, nos “nunca te vou esquecer”, nos “preciso de ti”, nos amores que acreditavas que seriam eternos, nas amizades que querias guardar para toda a vida, nas pessoas de quem sentias saudades e em todas aquelas vezes em que escreveste que tinhas de seguir em frente enquanto, lá no fundo, ainda desejavas ficar e reconheci-te imediatamente porque, apesar de tudo o que aconteceu entretanto, ainda estás aqui. Cresceste, mudaste, a vida obrigou-te a crescer de maneiras que naquela altura não imaginavas mas não mudaste inteiramente e talvez ainda bem.

    Continuas a amar profundamente, a guardar pessoas dentro de ti mesmo depois de já não fazerem parte dos teus dias, a lembrar-te dos pequenos momentos, a acreditar que algumas pessoas chegam à nossa vida por alguma razão, a sentir saudades, a querer acreditar no amor. Mas hoje consigo perceber uma coisa que tu ainda não conseguias passaste grande parte da tua vida com medo de que as pessoas fossem embora e, por causa desse medo, houve vezes em que fizeste tudo para que ficassem.

    Deste mais, esperaste mais, perdoaste mais, tentaste compreender mais, aceitaste silêncios, aceitaste ausências, aceitaste menos do que aquilo que desejavas porque uma parte de ti acreditava que ter pouco era melhor do que não ter nada.E quando alguém ia embora, raramente pensavas apenas:"Aquela pessoa não conseguiu ficar.", pelo contrario pensavas "O que há de errado comigo?", "Porque é que não fui suficiente?", "O que poderia ter feito diferente?", "E se tivesse dito aquilo?", "E se tivesse ficado?", "E se tivesse tentado mais uma vez?".

    Quantas vezes carregámos responsabilidades que nunca foram nossas, quantas vezes confundimos alguém não saber amar-nos com nós não sermos dignas de amor, quantas vezes tentámos ser suficientes para pessoas que simplesmente não tinham capacidade, vontade ou espaço para nos oferecer aquilo de que precisávamos. Hoje percebo isso mas quero ser sincera contigo perceber não significa que já saiba viver assim todos os dias. Ainda tenho dias em que volto a ser tu, em que tenho medo de não ser suficiente, em que uma ausência me faz questionar o meu valor, em que sinto saudades de alguém que sei que talvez não consiga dar-me aquilo de que preciso, em que digo que me escolho e, algumas horas depois, dou por mim novamente a pensar no que poderia ter sido.

    Ainda tenho esperança em algumas coisas, que ainda existem pessoas que o meu coração não conseguiu transformar simplesmente em passado, ainda imagino reencontros, ainda penso que talvez algumas histórias possam ter um capítulo diferente e sabes que mais? Não quero castigar-me por isso porque finalmente comecei a compreender que escolher-me não significa deixar de amar alguém mas significa não deixar de me amar para conseguir continuar a amá-lo e esta diferença demorou muitos anos a chegar. 

    Durante muito tempo, amor significava para nós ficar, aguentar, esperar, perdoar, acreditar, dar mais uma oportunidade. Pensávamos que, se o sentimento fosse suficientemente verdadeiro, conseguiríamos ultrapassar qualquer coisa, ainda acredito que o amor pode ser enorme mas hoje sei que o amor sozinho nem sempre chega. É preciso presença, verdade, reciprocidade, segurança, que duas pessoas queiram construir a mesma coisa. Porque ninguém deveria ter de implorar para se sentir escolhido dentro de uma história onde entrega o coração inteiro.

    Tu não sabias isso e eu não estou zangada contigo por não saberes, tu só querias ser amada talvez porque, muito antes dos namorados, das amizades perdidas e de todas as pessoas que vieram depois, já existia dentro de ti uma menina com medo da ausência.

    Eu reli aquele texto onde falavas da infância, das brincadeiras, da praia, dos castelos de areia, dos aniversários, do Natal, dos abraços e percebi que talvez aquilo de que sentias realmente saudades não fosse apenas de ser criança era de te sentires segura, de não teres de pensar se alguém ficaria amanhã, de poderes simplesmente amar sem antecipar a perda. Talvez por isso, quando crescemos, tenhamos procurado tantas vezes nas pessoas a sensação de casa e talvez por isso tenha doído tanto quando algumas delas partiram.

    Minha pequenina, algumas partiram mesmo e algumas perdas foram muito maiores do que aquilo que tu alguma vez poderias imaginar enquanto escrevias aquele blog. Perdemos pessoas que amávamos, perdemos versões nossas, perdemos futuros que tínhamos imaginado e houve um amor pequenino que chegou até nós e partiu antes de conseguirmos segurá-lo nos braços. Tu, que já sonhavas tanto.. Um dia soubeste o que era amar alguém antes sequer de lhe conhecer o rosto e também soubeste o que era ficar com todo esse amor nos braços sem ter onde o entregar. Há coisas que ainda doem, há saudades que não passaram, há perguntas para as quais provavelmente nunca teremos resposta e eu gostava muito de poder voltar atrás e proteger-te de tudo, mas não posso.

    Por isso, se pudesse sentar-me hoje ao teu lado, não te diria: "Vai ficar tudo bem." , porque seria injusto. Nem tudo ficou bem, algumas coisas deixaram cicatrizes, algumas mudaram-nos para sempre, algumas ainda fazem chorar. Eu apenas me sentaria ao teu lado e ficaria. Porque talvez tenha sido exatamente disso que precisaste durante tanto tempo que alguém ficasse.

    E sabes uma coisa curiosa?  Encontrei uma frase tua, escrita há tantos anos: "Conseguir crescer e mudar sem mudar inteiramente." Conseguimos, pequena, acho que conseguimos. Não nos tornámos frias, não deixámos de acreditar completamente, não aprendemos a tratar as pessoas como descartáveis só porque algumas nos trataram dessa maneira, ainda somos aquela pessoa que escreve quando sente, que guarda memórias, que ama intensamente, que se preocupa, que gostaria de ver toda a gente bem. Só começámos finalmente a perceber que nós também fazemos parte dessas pessoas de quem precisamos de cuidar e ainda estamos a aprender. Não te vou mentir, há dias em que não consigo escolher-me, há dias em que aquilo que o coração quer fala mais alto do que aquilo que eu sei que mereço, há dias em que penso que já ultrapassei alguma coisa e descubro que afinal ainda dói, há dias em que tenho vontade de voltar para lugares dos quais sei por que razão saí, mas existe uma diferença hoje eu consigo reconhecer quando me estou a abandonar e estou a aprender a voltar. 

    Talvez seja isso crescer, não deixar de cair mas perceber mais depressa onde caímos e saber o caminho de regresso a nós. Durante muitos anos perguntámos “O que tenho de fazer para alguém me escolher?” mas hoje estou a tentar fazer uma pergunta diferente: “Porque é que tenho de me abandonar para impedir alguém de partir?” , ainda não tenho todas as respostas mas já sei uma coisa não quero mais um amor que me obrigue a diminuir para caber, ter de implorar presença, confundir ansiedade com intensidade, chamar destino àquilo que me destrói, receber migalhas e convencer-me de que são suficientes apenas porque vêm de alguém que amo. 

    Quero um amor onde consiga respirar, onde não precise de adivinhar, onde palavras e atitudes contem a mesma história, onde alguém olhe para mim e não tenha dúvidas de que quer estar e, se algum dia uma história antiga regressar, não quero continuar exatamente de onde ficou, quero que seja outra história com outras escolhas, com verdade, com segurançan e acima de tudo com duas pessoas inteiras. Porque agora percebo que amar alguém não pode custar-me a mim e talvez ainda demore até conseguir viver completamente de acordo com estas palavras, talvez volte a falhar, volte a ter saudades, talvez ainda volte a acreditar demais mas quero fazer-te uma promessa não vou prometer que ninguém nos vai abandonar outra vez, não posso controlar isso, nem vou prometer que nunca mais vamos sofrer que também não posso, não vou sequer prometer que nunca mais vamos voltar atrás conheço-nos demasiado bem para fazer promessas perfeitas. Prometo apenas isto, quando te abandonares outra vez, eu vou procurar-te, quando achares que não és suficiente, eu vou lembrar-te de tudo aquilo que és, quando quiseres aceitar menos por medo de perder alguém, vou tentar lembrar-te que perder-te a ti seria muito pior, quando estiveres cansada de ser forte, não te vou obrigar a sê-lo, quando quiseres chorar, choramos, quando tiveres saudades, sentimos saudades, quando ainda amares alguém que já não podes ter da maneira que gostarias, não te vou envergonhar por isso só não te vou deixar esquecer que tu também mereces o amor que passaste a vida inteira a dar aos outros e talvez seja esta a parte mais bonita de toda a nossa história. 

    Passámos tantos anos à espera, à espera que alguém voltasse, que alguém percebesse, que alguém finalmente nos escolhesse, que alguém dissesse "Eu fico." e agora começo a perceber que talvez aquela menina estivesse à espera da pessoa errada, que quem ela estivesse à espera que voltasse fosse eu, demorei, perdi-me muitas vezes e ainda me perco, mas voltei a quando olho para todos aqueles textos que escreveste, não vejo uma menina fraca, dramática ou demasiado sensível. Vejo uma menina que só queria amar e ser amada, que tentou transformar dor em palavras porque talvez ainda não soubesse o que fazer com tudo aquilo que sentia, vejo alguém que caiu muitas vezes e que, sem sequer saber o que a vida ainda lhe reservava, já escrevia:  "há que cair 1000 e levantar 1001." tinhas razão caímos mais vezes do que imaginavas, mas olha para nós ainda estamos aqui, ainda sentimos,. ainda sonhamos, ainda acreditamos e, principalmente, estamos finalmente a tentar construir dentro de nós aquilo que durante tantos anos procurámos nos outros um lugar seguro para ficar.

    Por isso vem comigo, pequenina não precisas de desaparecer para eu conseguir crescer, eu levo-te comigo com os teus medos, com os teus sonhos, com a tua maneira exageradamente bonita de acreditar nas pessoas. Só te vou ensinar uma coisa que ninguém conseguiu ensinar-nos antes amar os outros é bonito mas não precisamos de nos abandonar para provar esse amor.

    E quando tudo voltar a doer, porque às vezes vai doer, lembra-te daquela frase que um dia conseguimos finalmente escrever: "Tudo passa. E até passar, eu fico comigo." por ti, por mim, por todas as versões nossas que ficaram pelo caminho, pela menina que fomos, pela mulher que somos e principalmete por aquela que ainda estamos a aprender a ser.



    Desta vez, eu não te abandono. 🤍

    Com todo o amor que durante tantos anos procuraste nos outros,

    Tu.
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    Há dias em que nem eu sei explicar o que vai cá dentro.

    É uma mistura estranha de saudade, cansaço, amor, medo e esperança. Como se dentro de mim existissem várias versões minhas ao mesmo tempo: a que ainda sente falta, a que já percebeu que merece mais, a que tem medo de voltar a sofrer e aquela que, apesar de tudo, continua a acreditar que um dia as coisas vão fazer sentido.

    Carrego ausências que nunca deixaram verdadeiramente de doer, carrego pessoas que já não posso abraçar, momentos que ficaram por viver e um amor tão pequeno no tempo, mas tão infinito dentro de mim. Há saudades para as quais nunca vou encontrar palavras suficientes, há um cantinho do meu coração que vai estar sempre ocupado por quem partiu cedo demais e por quem foi casa quando eu mais precisei.

    Talvez seja por ter conhecido tão bem a ausência que eu ame desta maneira. Quando gosto, gosto por inteiro, cuido, fico, tento, perdoo, dou mais uma oportunidade e às vezes mais outra. Tenho esta mania de procurar o lado bom das pessoas, mesmo quando o lado mau delas já me magoou vezes suficientes para eu saber que devia ir embora.

    Já me questionei muitas vezes se sou suficiente, se algum dia alguém vai olhar para mim e ter a certeza sem dúvidas, sem metades, sem precisar de me perder para perceber o meu valor.

    Durante muito tempo achei que precisava que alguém me escolhesse para finalmente sentir que era digna de amor. Hoje começo, devagarinho, a perceber que talvez a escolha mais importante da minha vida seja aquela que estou finalmente a aprender a fazer: escolher-me a mim e isso não significa que deixei de amar, não significa que esqueci, não significa sequer que algumas coisas deixaram de doer, significa apenas que estou cansada de me abandonar para conseguir ficar na vida dos outros.

    Ainda tenho sentimentos que não sei onde guardar, ainda existem pessoas que ocupam lugares em mim que provavelmente nunca ficarão completamente vazios e aprendi que não preciso de arrancá-las do coração para conseguir continuar. Posso amar alguém e, ainda assim, escolher-me, posso desejar-lhe tudo de melhor e não correr atrás, posso guardar aquilo que vivemos com carinho sem aceitar novamente aquilo que me destruiu, posso acreditar que, se a vida algum dia nos voltar a colocar no mesmo caminho, terá de ser diferente , um recomeço, nunca uma continuação daquilo que já sabemos como terminou. 

    Porque hoje eu quero paz, quero um amor que venha para somar e não para me fazer questionar constantemente o meu lugar, quero alguém que tenha medo de me perder, mas principalmente vontade de ficar, quero reciprocidade, presença, honestidade, segurança, quero conseguir amar sem estar constantemente preparada para ser abandonada mas, antes disso tudo, quero aprender a dar a mim própria aquilo que passei tantos anos à espera que alguém me desse aainda estou a aprender.

    Há dias em que sou forte e outros em que volto a ser aquela menina que só queria sentir que alguém ficava. Há dias em que acredito profundamente que coisas bonitas ainda me esperam e outros em que tenho medo de que o meu coração já tenha suportado demasiado mas continuo aqui e talvez essa seja uma das coisas mais bonitas sobre mim.

    Depois das perdas, depois das despedidas, depois das mentiras, depois das noites em que chorei coisas que ninguém sabia, depois de me sentir insuficiente, depois de perder pedaços de mim em pessoas e situações que não podia controlar eu continuo aqui. Ainda consigo amar,, ainda consigo cuidar, ainda consigo desejar coisas bonitas, ainda consigo acreditar.

    Só estou a aprender que ter um coração enorme não significa ter de permitir que toda a gente entre e faça dele o que quiser. Agora quero cuidar de mim sem pressa, sem precisar de ter todas as respostas, sem saber exatamente como será amanhã. Um dia de cada vez e quando a saudade apertar, eu vou senti-la, quando doer, vou permitir-me chorar, quando tiver vontade de desistir, vou lembrar-me de todas as vezes em que achei que não conseguiria e, mesmo assim, consegui chegar até aqui. "Porque toda a vez que choveu… parou." e talvez neste momento eu ainda não esteja exatamente onde quero estar, 
    mas já não estou onde estava, estou no meio do caminho.

    A aprender a perdoar-me, a fazer as pazes com aquilo que não posso mudar, a deixar de procurar respostas onde talvez nunca existam, a amar sem me abandonar, a aceitar que algumas pessoas serão sempre importantes, mesmo que não possam ocupar o lugar que um dia imaginei para elas e, acima de tudo, a perceber que eu também mereço ser a pessoa por quem alguém fica mas enquanto esse alguém não chega, ou enquanto a vida decide o que ainda tem reservado para mim, quero ficar eu.



    Por mim.

    Desta vez, não me abandono. 🤍
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    Há uma parte de mim que poucos conhecem. 

    Sou feita de sorrisos sinceros, mas também de silêncios que ninguém ouve, carrego perdas que o tempo não apagou apenas me ensinou a esconder melhor, há abraços que nunca consegui dar, sonhos que ficaram pelo caminho e saudades que aprenderam a morar em mim.

    Durante muito tempo perguntei-me porque é que algumas pessoas entram na nossa vida apenas para nos ensinar a dor. Questionei o meu valor, duvidei se seria suficiente, se seria merecedora de um amor tranquilo, daqueles que não fazem fugir nem implorar para ficar.
    Já perdi pessoas que eram casa, sonhos que ainda hoje visito em pensamento e houve uma parte de mim que morreu no dia em que tive de dizer adeus a um futuro que já amava antes mesmo de o poder viver.
    Mesmo assim... continuo aqui  com cicatrizes que não se veem, mas que contam a história de todas as batalhas que sobrevivi com um coração que, apesar de cansado, continua a acreditar que o amor verdadeiro existe não um amor que salva, mas um amor que chega para caminhar ao meu lado.
    Aprendi que nem sempre amar alguém significa ficar, ás vezes significa deixar ir, mesmo quando tudo em nós queria que fosse diferente. Aprendi que há pessoas que serão sempre importantes, mesmo quando já não ocupam o lugar que um dia ocuparam e isso não diminui o amor, apenas o transforma.
    Hoje o meu maior desafio já não é encontrar alguém que me ame, mas sim aprender a olhar para mim com a mesma ternura com que sempre olhei para os outros, é acreditar que também mereço ser escolhida, respeitada e amada sem ter de provar o meu valor todos os dias.
    Ainda tenho medo, medo de voltar a sofrer, medo de voltar a confiar e principalmente medo de não ser suficiente mas, pela primeira vez, esses medos já não comandam a minha vida.
    Estou a aprender, um dia de cada vez, que a minha paz vale mais do que qualquer relação incerta, que o amor mais importante é aquele que construo comigo e que quem vier terá de vir para somar, nunca para preencher um vazio porque eu já sobrevivi ao pior de mim e agora só quero viver o melhor que ainda está por chegar. E quando esse dia chegar, quero olhar para trás e agradecer a todas as lágrimas, porque foram elas que regaram a mulher que hoje estou, lentamente, a tornar-me. 
    Ainda acredito no amor mas, acima de tudo, começo finalmente a acreditar em mim.
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    Meu querido B 💙

    Há dias em que fecho os olhos e imagino-te. Imagino o teu rosto, o teu sorriso, o som da tua voz. Imagino como seria segurar-te nos meus braços, sentir o teu cheiro, ouvir o teu riso ecoar pela casa e, por alguns instantes, o meu coração acredita que estás aqui.

    Tu foste o meu sonho tornado realidade.

    Quando soube que existias, algo dentro de mim mudou para sempre. Não eras apenas uma esperança, não eras apenas uma possibilidade. Eras o meu bebé uma parte de mim que já amava com toda a força do meu coração. Mas a vida levou-te antes que eu pudesse conhecer-te da forma que tanto desejei. E desde então carrego uma saudade impossível de explicar. Não apenas a saudade de ti, mas a saudade de tudo o que não chegámos a viver juntos, dos abraços que ficaram por dar, dos beijos que ficaram por receber, das histórias que nunca te contei antes de adormeceres, dos aniversários que nunca pudemos celebrar. Sinto falta até daquilo que nunca aconteceu.
    Porque uma mãe sonha. Sonha com o primeiro sorriso, com os primeiros passos, com o primeiro "mamã". E eu também sonhei, sonhei uma vida inteira contigo. Às vezes penso em quem serias hoje pergunto-me se herdarias os meus olhos, o meu feitio ou o meu sorriso, se gostarias das mesmas coisas que eu, se saberias o quanto foste amado desde o primeiro instante mas, no fundo, acredito que sabes. Porque o amor que sinto por ti não terminou no dia em que partiste, pelo contrário, tornou-se eterno.
    Tu nunca estiveste nos meus braços, mas sempre estiveste no meu coração, nunca pude acompanhar o teu crescimento, mas cresceu dentro de mim um amor que não conhece limites nem fim. Há uma parte de mim que partirá sempre contigo e há uma parte de ti que ficará sempre comigo. 
    És a minha maior saudade, a minha lágrima mais silenciosa, o meu amor mais puro e mesmo que o mundo continue a girar, mesmo que os anos passem e a vida siga o seu caminho, haverá sempre um lugar dentro de mim onde o tempo parou. Um lugar onde continuo à tua espera, onde continuo a imaginar-te, onde continuo a amar-te.
    Obrigada por me teres escolhido para ser tua mãe, ainda que por tão pouco tempo. Obrigada por teres existido. Obrigada por me mostrares que o amor pode ser eterno, mesmo quando a presença não o é. 
    Levar-te-ei comigo em cada batida do meu coração, até ao último dia da minha vida e quando voltar a encontrar-te, meu amor pequenino, o primeiro abraço será por todos aqueles que ficaram por dar.

    Mas há uma coisa que preciso de te dizer, meu amor. Perdoa-me. Perdoa-me por todas as vezes em que o meu coração se pergunta se eu poderia ter feito mais, perdoa-me pelos momentos em que me culpo por não ter conseguido ser a casa segura que precisavas para crescer, para te abrigar, para permaneceres aqui. Sei que uma mãe deve proteger o seu filho de tudo, e durante muito tempo carreguei a dor de sentir que falhei contigo. Houve noites em que chorei em silêncio, desejando poder voltar atrás, mudar o destino, trocar de lugar contigo, fazer qualquer coisa que te permitisse viver, mas o amor de uma mãe nem sempre consegue vencer aquilo que está para além das suas forças. Ainda assim, peço-te perdão pelas vezes em que o meu coração insiste em acreditar que o meu corpo te desiludiu, peço-te perdão por não ter conseguido ser o lar que tanto queria ser para ti.
    Embora, no fundo da minha alma, eu espere que saibas a verdade: desde o primeiro instante, fizeste-te amado. Foste acolhido com sonhos, esperança e um amor imenso, talvez eu não tenha conseguido ser a casa onde pudeste crescer até ao fim, mas foste sempre a casa mais bonita dentro do meu coração.

    E é aí que continuas. Seguro. Amado. Eterno.
    Com amor infinito,
    A tua mamã.

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    "Há ausências que nunca aprendemos a aceitar. Apenas aprendemos a amar de outra forma, através da saudade." 💜

    Há saudades que cabem numa fotografia, numa memória ou numa data. 
    E depois existem aquelas saudades que moram em nós todos os dias.


    Saudades de alguém que já partiu, mas que continua a viver em cada pedaço de mim, de quem foi o meu porto seguro, o meu abrigo nos dias de tempestade, o colo que me acalmava quando o mundo parecia demasiado pesado para carregar, de quem me ensinou a ser quem sou, de quem me criou com amor, paciência e força, de quem segurou a minha mão quando eu não sabia caminhar sozinha e que acreditou em mim quando eu própria duvidava, de quem me segurava mesmo sem saber, da presença que parecia eterna e que, de repente, se transformou em ausência. Há dias em que ainda procuro essa voz, esse abraço, esse conforto que só aquela pessoa sabia dar.
    Saudades de um amor que nasceu antes mesmo de poder ser tocado, que partiu antes de conseguir tocar todos os sonhos que guardava no coração. Partiu cedo demais, deixando palavras por dizer, abraços por dar e momentos que nunca chegaram a acontecer. Um amor tão grande que não precisou de tempo para existir, mas cuja partida deixou um vazio impossível de explicar. Há despedidas que acontecem cedo demais e dores que não encontram palavras suficientes para serem contadas.
    Há dias em que a ausência pesa mais do que outros, dias em que tudo me lembra quem já está aqui. 
    É estranho como a saudade consegue ser, ao mesmo tempo, uma prova de amor e uma ferida que nunca fecha completamente mas não sinto apenas saudades de quem partiu. Sinto também saudades de mim,  da pessoa que eu era antes da dor, antes da perda, de me sentir inteira, leve, verdadeiramente bem. Saudades de acordar sem este vazio escondido no peito, sem esta falta que acompanha os dias em silêncio. 
    Porque há pessoas que partem, mas levam consigo uma parte de nós e aprendemos a continuar, a sorrir, a viver, mas nunca deixamos de sentir a falta delas e talvez seja isso a saudade: o amor que fica quando já não podemos abraçar quem mais amamos, o reflexo do amor que ficou quando alguém partiu, dos sonhos que existiram mesmo sem se concretizarem e da esperança de um dia voltarmos a encontrar dentro de nós a força para sorrir sem culpa.
    Porque quem amamos nunca desaparece completamente. Continua a viver nas lembranças, no amor que deixaram e na pessoa que nos ajudaram a ser.
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    Às vezes sinto que passei grande parte da vida a tentar ser forte da maneira errada, a achar que aguentar tudo sozinha era uma virtude, que esconder o que me dói me tornava mais madura, mais segura, mais “fácil” para os outros. Mas a verdade é que dentro de mim sempre existiu uma intensidade difícil de explicar. 
    Eu sinto tudo fundo demais o amor, a saudade, o medo, a rejeição, a esperança, nada em mim passa apenas pela superfície.
    Sou alguém que observa muito.
    Reparo nos detalhes que quase ninguém nota: a mudança no tom de voz, o silêncio diferente, a distância que começa devagar, talvez por isso eu me desgaste tanto emocionalmente porque mesmo quando tento fingir que está tudo bem, eu percebo tudo e guardo tudo dentro de mim durante demasiado tempo.
    Há uma parte de mim que quer paz, leveza, estabilidade mas existe outra que vive constantemente em conflito entre o que sente, o que pensa e o que teme. Tenho medo de não ser suficiente, medo de dar demasiado e acabar vazia, medo de me apegar ao ponto de me perder de mim mesma e ao mesmo tempo, amo profundamente com verdade, com cuidado, com presença. Quando gosto de alguém, não gosto pela metade eu envolvo-me emocionalmente até nos pequenos gestos, demonstro amor em detalhes silenciosos: em preocupar-me, em lembrar, em tentar criar momentos especiais, em querer que a pessoa se sinta acolhida perto de mim.
    Acho que poucas pessoas entendem o quanto sou sensível por trás da imagem controlada que tento passar porque eu aprendi a funcionar mesmo triste, aprendi a sorrir enquanto estou cansada emocionalmente, aprendi a continuar mesmo quando me sinto perdida, mas isso cobra um preço há dias em que me sinto exausta de ter de ser forte o tempo todo, dias em que só queria desligar o mundo e existir sem pressão, sem expectativas, sem ter de provar nada a ninguém.
    Também sou alguém que sonha muito, mesmo depois das decepções, ainda acredito em relações que tragam paz e profundidade ao mesmo tempo, ainda acredito que amor não devia ser um jogo de ego, distância e orgulho. Quero conexão verdadeira, quero sentir que posso ser completamente eu sem medo de ser “demais” porque passei muito tempo a diminuir partes de mim para caber nas versões que os outros conseguiam suportar. E no meio de tudo isso, continuo a tentar melhorar, tento cuidar do meu corpo, da minha mente, das minhas emoções, mesmo quando a motivação falha, tento reencontrar-me constantemente. 
    Há uma luta silenciosa dentro de mim entre a pessoa cansada que às vezes quer desistir e a pessoa resiliente que continua a acreditar que ainda pode construir uma vida bonita, leve e cheia de significado.
    Sou feita de extremos delicados: sensível mas resistente, intensa mas silenciosa, carinhosa mas cautelosa e talvez a minha maior batalha seja aprender que não preciso merecer amor através do esforço constante. Que posso simplesmente existir, sentir, falhar, recomeçar…
    E ainda assim continuar digna de ser amada exatamente como sou.
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    Às vezes penso que o que me custa no amor não é amar, mas sim o que acontece dentro de mim quando amo. É como se, no momento em que alguém começa a importar, alguma coisa em mim deixasse de estar tranquila. Começo a sentir medo. Medo de não chegar. Medo de não ser suficiente. Medo de que, se eu não der mais, não fizer mais, não tentar mais, a pessoa vá embora. E isso cansa, cansa viver o amor como se estivesse sempre a tentar merecê-lo, cansa sentir que tenho de estar sempre a provar o meu valor para continuar a ser escolhida e o mais difícil é perceber que, muitas vezes, dei tanto de mim que no fim fiquei vazia.
    Dei tempo, energia, cuidado, compreensão e muitas vezes recebi dúvidas, ausência ou insegurança.E mesmo assim fiquei, não porque fosse amor puro, mas porque havia apego, esperança e aquele desejo profundo de que, se eu insistisse mais um pouco, talvez finalmente me sentisse segura. Mas a verdade é dura: segurança não se implora, não se conquista à força e amor não devia deixar-me constantemente ansiosa.
    Hoje percebo que muitas vezes não tive medo de perder a pessoa, tive medo de confirmar aquela ferida antiga: a de achar que talvez eu nunca fosse suficiente para alguém ficar e carregar isso dentro de uma relação torna tudo pesado, porque cada silêncio pesa, cada distância pesa, cada dúvida pesa.
    Talvez por isso hoje o amor me assuste não porque eu não saiba amar mas porque durante muito tempo amar significou perder-me um pouco e agora estou a aprender uma coisa nova: que amar alguém não pode custar-me a mim, que posso gostar, sentir, entregar-me sem me abandonar no processo e talvez o amor que eu procuro não seja aquele que me faz sentir tudo de forma intensa, talvez seja aquele que me faz respirar fundo e sentir: aqui posso descansar.
    Talvez, no fundo, seja isso que sempre procurei não alguém para amar, mas um amor onde eu também me sinta segura.
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    Durante muito tempo achei que amar era entregar tudo.

    Estar sempre disponível, dar mais um pouco, tentar mais uma vez, compreender mais, insistir mais. Achava que, se desse o suficiente, se fosse suficiente, o amor ficava.
    Mas aprendi que muitas vezes isso não era amor nem paz, era medo. Medo de não ser escolhida, medo de não ser suficiente, medo de perder e o medo faz barulho. Faz-nos correr atrás, pensar demais, analisar tudo, procurar sinais onde devia haver clareza. Faz-nos dar mais do que recebemos, acreditar que esforço cria segurança, mas não cria. Segurança não nasce de insistência, nasce de reciprocidade.
    Hoje percebo que amar não devia ser viver em alerta, não devia ser ansiedade à espera de uma mensagem, nem dúvida constante sobre o lugar que ocupamos na vida de alguém. 
    Amor saudável não pede que eu me prove o tempo todo, não pede que eu me diminua para caber, não pede que eu carregue a relação sozinha.
    Aprender a amar de forma diferente é aprender a não me perder enquanto sinto, é abrandar quando a ansiedade aparece, em vez de correr atrás, é observar, em vez de tentar convencer, é perceber que o valor que tenho não depende de ser escolhida porque o amor certo não se constrói no esforço de uma pessoa só.
    Constrói-se no encontro de duas presenças inteiras e talvez amar de novo não seja voltar a sentir como antes, talvez seja melhor do que isso, talvez seja sentir com paz, com leveza, com segurança. E, pela primeira vez, perceber que amor não é lutar para ficar é sentir que posso ficar sem ter de me abandonar.
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    Todos os dias, a partir de hoje, escolho-me.
    Escolho parar de medir o meu valor pela forma como alguém me vê ou me ama.
    Escolho lembrar-me de que sou suficiente, mesmo quando o medo me disser o contrário.
    Todos os dias, a partir de hoje, prometo a mim mesma não correr atrás de quem me faz duvidar do meu lugar.
    Não insistir onde só existe incerteza.
    Não dar de mim até ficar vazia.
    Escolho ouvir-me.
    Respeitar o que sinto.
    Honrar os meus limites.
    Se o amor vier, que me encontre inteira.
    Não a mendigar presença, nem a provar o meu valor.
    Que me encontre em paz comigo.
    Segura de quem sou.
    Capaz de amar sem me perder.
    E se houver dias de fraqueza, de saudade ou de vontade de voltar ao que me magoou, vou lembrar-me: crescer também dói. Soltar também dói. Mas ficar onde me abandono dói ainda mais.
    Todos os dias, a partir de hoje, escolho reconstruir-me.
    Com paciência.
    Com verdade.
    Com amor por mim.
    Porque a relação mais importante da minha vida começa aqui.
    Em mim.
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    Tudo passa um dia, até a dor que hoje parece funda demais, até o vazio que às vezes pesa no peito, até as perguntas sem resposta e as saudades que insistem em ficar. Tudo passa.
    Não porque esquecemos, mas porque aprendemos a carregar de outra forma, porque o tempo, quando se junta à verdade e à coragem, transforma o que parecia impossível de suportar e até lá, é recomeçar.
    Dia após dia às vezes com força, às vezes só com o mínimo necessário para seguir, há dias em que recomeçar vai ser sorrir outra vez, noutros vai ser simplesmente levantar da cama e continuar e isso também conta. Porque curar não é um momento è um caminho, feito de pequenas escolhas não voltar ao que me fere, não abandonar o que sinto, não desistir de mim.
    Recomeçar não é esquecer, é escolher seguir, mesmo levando cicatrizes e talvez a verdadeira força esteja aí em aceitar que nem todos os dias vão ser leves, mas ainda assim continuar.
    Porque tudo passa e até passar, eu fico comigo.


    Um dia de cada vez.
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    Talvez isto não seja o fim de nada.
    Talvez seja apenas um novo começo.
    Um começo menos inocente, é verdade.
    Mas mais consciente.

     
    Um começo onde já conheço as partes de mim que amam demais, que se agarram, que têm medo de não ser suficientes. E, pela primeira vez, em vez de as julgar, escolho entendê-las. Porque elas só estavam a tentar proteger-me mesmo da forma errada. Talvez este recomeço não seja sobre encontrar alguém, talvez seja sobre encontrar-me a mim no meio de tudo o que senti, perdi e aprendi. Voltar a mim à minha paz, à minha verdade. Aprender que amor não é sacrifício constante, que ficar não deve custar-me a mim, que ser escolhida nunca devia exigir que eu me abandonasse primeiro e talvez o mais bonito de recomeçar seja isso perceber que não estou a voltar ao ponto de partida mas estou a recomeçar com mais consciência, mais limites, mais verdade, com feridas, sim mas também com mais clareza e isso muda tudo. Porque um novo começo não apaga a dor que existiu mas dá-lhe um lugar diferente. Já não como algo que me prende mas como algo que me ensinou e talvez, desta vez, o caminho não seja correr atrás do amor apenas caminhar ao lado dele, quando ele for leve, recíproco e seguro.
    Até lá, continuo a reconstruir-me, a escolher-me, a lembrar-me que recomeçar também é um ato de coragem e eu estou a fazer isso agora.
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    Eu sei que estás cansada.
    Não é só do que fazes, é do que sentes, do que carregas, do esforço constante de tentares manter-te inteira por dentro. O corpo pesa, a cabeça não descansa e o coração parece sempre a recuperar de algo que nunca chegou a sarar.

    Tu queres continuar.
    Tu não desististe.

    Mas quando procuras forças dentro de ti, não encontras. Só silêncio, só peso é como se tudo em ti dissesse “levanta-te”, mas algo mais fundo te mantivesse no chão e o pior é isto tu ainda queres, ainda te importas, ainda tentas mas não estás a conseguir e isso não é fraqueza é cansaço de ser forte o tempo todo.
    Cansaço de tentar encontrar energia onde já não há, de levantar quando por dentro só queres parar.
    Talvez hoje não seja um dia de lutar, talvez hoje seja só um dia de respirar, de existir, de sobreviver.
    Não precisas resolver nada agora, não precisas saber o próximo passo.
    Hoje, só isto basta: ESTÁS AQUI, cansada, a querer continuar mesmo sem saber como e isso já é suficiente.
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