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Há uma parte de mim que
poucos conhecem.
Sou feita de sorrisos
sinceros, mas também de silêncios que ninguém ouve, carrego perdas que o tempo
não apagou apenas me ensinou a esconder melhor, há abraços que nunca consegui
dar, sonhos que ficaram pelo caminho e saudades que aprenderam a morar em mim.
Durante muito tempo
perguntei-me porque é que algumas pessoas entram na nossa vida apenas para nos
ensinar a dor. Questionei o meu valor, duvidei se seria suficiente, se seria
merecedora de um amor tranquilo, daqueles que não fazem fugir nem implorar para
ficar.
Já perdi pessoas que eram
casa, sonhos que ainda hoje visito em pensamento e houve uma parte de
mim que morreu no dia em que tive de dizer adeus a um futuro que já amava antes
mesmo de o poder viver.
Mesmo assim... continuo
aqui com cicatrizes que não se
veem, mas que contam a história de todas as
batalhas que sobrevivi com um coração que, apesar de cansado, continua a
acreditar que o amor verdadeiro existe não um amor que salva, mas um amor que
chega para caminhar ao meu lado.
Aprendi que nem sempre amar
alguém significa ficar, ás vezes significa deixar ir, mesmo quando tudo em nós
queria que fosse diferente. Aprendi que há pessoas que serão sempre
importantes, mesmo quando já não ocupam o lugar que um dia ocuparam e isso não
diminui o amor, apenas o transforma.
Hoje o meu maior desafio já
não é encontrar alguém que me ame, mas sim aprender a olhar para mim com a mesma
ternura com que sempre olhei para os outros, é acreditar que também mereço ser
escolhida, respeitada e amada sem ter de provar o meu valor todos os dias.
Ainda tenho medo, medo de
voltar a sofrer, medo de voltar a confiar e principalmente medo de não ser suficiente mas, pela primeira vez,
esses medos já não comandam a minha vida.
Estou a aprender, um dia de
cada vez, que a minha paz vale mais do que qualquer relação incerta, que o amor
mais importante é aquele que construo comigo e que quem vier terá de vir para
somar, nunca para preencher um vazio porque eu já sobrevivi ao
pior de mim e agora só quero viver o
melhor que ainda está por chegar. E quando esse dia chegar,
quero olhar para trás e agradecer a todas as lágrimas, porque foram elas que
regaram a mulher que hoje estou, lentamente, a tornar-me.
Ainda acredito no amor mas, acima de tudo, começo
finalmente a acreditar em mim.
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